terça-feira, 8 de setembro de 2015

Educar e ser Educador


Por Tião Rocha, antropólogo e pensador


1. Professor é aquele que ensina. Seu ofício é a ensinagem.

2. Educador é aquele que aprende. Seu ofício é a aprendizagem.

3. Educação é um fim, escola é um meio. (Os meios devem estar sempre a serviço dos fins a que se destinam).

4. Educação é algo que acontece somente no plural.

5. Não existe educação no singular. O “eu” sozinho não educa.

6. Para que haja educação são necessários, no mínimo, duas pessoas – o eu e o outro – (ou o professor e o aluno).

7. Educação não é o que eles, individualmente, trazem, mas o que eles trocam.

8. A gente só troca o que tem pelo que ainda não se tem. Isso se chama aprendizagem. (quem troca seis por meia dúzia, está perdendo tempo).

9. Educação, portanto, pressupõe aprendizagem. E a aprendizagem só ocorre se houver troca (do tipo ganha-ganha).

10. É possível fazer educação sem escola? Sim!

11. É possível fazer boa educação debaixo do pé de manga? Com certeza!

12. Mas é im-pos-sí-vel fazer boa educação se não tivermos bons educadores.

13. Só os bons educadores produzem a boa educação (o contrário, infelizmente, também é verdadeiro: os maus educadores produzem “caca” educacional).

14. O bom educador é aquele que cria uma pedagogia própria, autoral (e não fica apenas falando “entre aspas” e/ou citando pés de página).

15. O bom educador é aquele que aprende mais do que ensina, porque aprende a ver, ler e usar “o lado luminoso” de seus alunos e olhar sua comunidade pelo “lado cheio do copo”.

16. O bom educador não mede carência, mas potência. Deixa de ser um dependente do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e faz da sua escola a guardiã do Índice de Potencial do Desenvolvimento Humano (PPDH) dos seus alunos e sua comunidade.

17. Uma escola que se deseja excelente é aquela que identifica, mede e avalia o IPDH de seus alunos e comunidade e o utiliza pela sua capacidade de Acolhimento, Convivência, Aprendizagem, e Oportunidade (ACAO).

18. O educador, a nível de excelência, é aquele que constrói seu Plano de Trabalho e Avaliação (PTA) a partir de MDIs: – de quantas Maneiras Diferentes e Inovadoras eu posso: alfabetizar uma criança, não perder nenhum aluno, tirar um jovem da linha de tiro, mobilizar uma comunidade para zerar o analfabetismo, fazer da escola um centro de excelência, construir uma cidade educadora etc.

19. Toda escola pode transformar esses desejos e vontades em realidade plena. Basta querer e investir suas energias e seu “lado luminoso” nessas causas, porque elas fazem parte de sua governabilidade e não necessitam ser “terceirizadas”.

20. Uma escola, a nível de excelência, é aquela que “não deixa nenhum aluno para trás” ou que “não perde nenhum aluno” ou que garante a todos, sem exceção, a aprendizagem de tudo o que todas as crianças e jovens precisam e podem aprender, no seu tempo e no seu ritmo, para serem os melhores e mais felizes cidadãos do mundo.

Contrato de professora exigia: 'Não beber cerveja, vinho ou uísque’

Circula na inFernet um "Contrato de Professores" de 1923, mas direcionado exclusivamente às "senhoritas". Um verdadeiro show de machismo (institucionalizado): determina que a tal "senhorita" que assinasse o acordo para dar aulas num período de oito meses comprometia-se a, entre outras barbaridades, "não se casar" (!), "não andar em companhia de homens" (!!), "ficar em casa entre às [sic] 8h da noite e às [sic] 6h da manhã" (!!!), "não passear pelas sorveterias" (!!!!) e "não abandonar a cidade (...) sem permissão do presidente do Conselho de Delegados" (!!!!!). Mas não apenas isso. Também há cláusulas castradoras em relação ao fumo e à manguaça. Confiram:
Se a imagem dificulta a leitura, reforço os itens 6 e 7: "Não fumar cigarros. Este contrato ficará automaticamente anulado e sem efeito se a professora for encontrada fumando" e "Não beber cerveja, vinho ou uísque. Este contrato ficará automaticamente anulado e sem efeito se a professora for encontrada bebendo cerveja, vinho ou uísque". O contrato ainda arrematava: "Não viajar em carruagem ou automóvel com qualquer homem, exceto seu irmão ou seu pai". Se considerarmos que, de qualquer forma, uma professora já era, naquele tempo, mais independente e autônoma que as outras mulheres, fico imaginando as proibições "não escritas" às esposas e donas-de-casa da época. Impressionante.

Ps.: Segundo o leitor Renato, "este contrato é verdadeiro. Esta no livro “Trabalho docente e textos” (edição de 1995 da editora Artes Médicas, na página 68) de Michael Apple, sociólogo estudioso da área de currículo".

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