JUAZEIRO



Uma coisa importante é conhecer a história da nossa cidade. E por quê? São tantas razões que não caberiam num só livro, e uma das razões, a que resumiriam todas elas, é esta: você não conhece a sua cidade, como irá amá-la, protegê-la, então vamos lá, atente bem: Juazeiro a nossa cidade surgiu no fim do século XVII para o início do século XVIII. Mas no ano de 1593 um bravo bandeirante percorreu a nossa região em busca de minas de prata. Esse bandeirante contou ao senhor Garcia D’Ávila, o terceiro senhor da casa da torre, donos da terra desde Itapuã até o Vale do São Francisco, e muito mais, que tudo por aqui era maravilhoso. Água em abundância, belos mananciais, peixes, frutos, e assim ao saber de tantas maravilhas o Senhor Garcia D’Ávila motivado preparou todo um esquema para vir explorar tão grande e belo paraíso.

No início do século XVII foram implantados às margens do Rio São Francisco os primeiros currais, onde Sr. Garcia D’Ávila deixava em cada um deles um casal de escravos, dez novilhas, um casal de cães, galinha, galos, porcos, cavalos e sementes para lavoura. Por isso o Rio São Francisco é chamado de Rio dos Currais. Com a implantação dos currais e as constantes andanças da gente do Sr. Garcia D’Ávila surgiu uma estrada que conduzia à margem direita do Rio São Francisco facilitando a travessia do majestoso rio, essa estrada, esse lugar e imediação receberam o nome de passagem do Juazeiro, sabe por quê? Porque naquela passagem e em toda parte havia uma enorme quantidade de uma árvore muito bela, frondosa e sempre verdejante, e que todos a chamavam: Juazeiro.
Então a cidade nasceu em razão da passagem que se transformou no povoado chamado Passagem do Juazeiro, que cresceu e parte dele recebeu o nome de Juazeiro Velho (próximo à Faculdade de Agronomia – bairro Horto Florestal, outros chamam Bairro São Geraldo).
Os Pioneiros
Os pioneiros de progresso do povoado foram os frades franciscanos, e podemos dizer que eles fundaram a cidade, pois no ano de 1706, no início do século XVII eles aldearam os índios e logo em 1707 ergueram a primeira capela na antiga aldeia dos Cariris, índios oriundos do Ceará, vindos da região da Serra da Borborema e se instalaram aqui na região do São Francisco, dando origem aos povoados que atualmente são as cidades ribeirinhas do Vale do São Francisco, por isso, podemos dizer que somos descendentes dos Cariris. Índios fortes, bonitos, pele morena, cabelos negros, bravos, na guerra, mas pacíficos, criativos, destros na fecha, no arco, e na azagaia uma arma que também fabricavam. Eram alegres e cultivavam a artes de dançar, além do Toré que dançavam como ato religioso, partida para luta, ou celebrar vitória. A palavra Juazeiro na língua Tupi significa reunião de Juás. Juá – fruto de espinho. Eiro que dizer reunião – conseqüentemente Juazeiro: Refere-se à árvore, Juazeiro, muito encontrada na região. A pequena fruta do Juazeiro, o juá é conhecido também como, laranja de vaqueiro. Os primeiros vaqueiros a apelidaram assim, e apreciavam e apreciam o fruto do Juazeiro. A fundação do povoado foi reconhecida em 1706, quando os franciscanos aldeiando os índios, criaram a missão do Juazeiro. Índio – vaqueiro pastoreando o seu rebanho, encontrou nas grotas do rio São Francisco uma bela imagem, e essa imagem recebeu o nome de Nossa Senhora das Grotas, que passou a ser a padroeira de Juazeiro, e ela está até hoje no altar-mor da nossa Catedral abençoando a nossa cidade. Em 1766 – o povoado foi reconhecido como julgado, e em 1833 elevado à categoria de Vila. A Vila do Juazeiro, e somente em 1878 pelo Barão Homem de Mello, Governador da Província da Bahia, pela Lei Nº 1814 de 15 de julho de 1878, a Vila do Juazeiro, foi elevada à categoria de cidade – A Cidade do Juazeiro.

Nossos Índios


Tamoquins, tamoqueus, maçacarás – Índios cariris, tapuias, povo tapuia. Os cariris, fugindo das secas e perseguições, partiram de suas terras e se estabeleceram às margens do Rio São Francisco.
Os cariris nossos antepassados, segundo o historiador e antropólogo Elias Herckman eram altos, tinham ossos grandes, pele morena, cabelos negros e longos. As Índias tapuias ou cariris eram mulheres lindas na maioria de pequena estatura, olhos rasgados, um tanto oblíquos, cabelos negros e longos. As armas dos nossos cariris: Arco, flecha, setas azagaias e outras armas feitas de pau-brasil. As cores preferidas pelos índios cariris: Vermelho, azul, verde, preto e branco. Navegavam em canoas e ajoujos. A umburana de cambão e a quixabeira eram as suas árvores sagradas.
Massacre do Salitre
A 1º de junho de 1691 – Aconteceu o terrível massacre do Salitre. O senhor Francisco Dias D’Ávila donos das terras do Juazeiro quis escravizar os índios e puni-los por vagarem nas roças e plantações dos seus currais, veio ele e seus comandados combater os indefesos índios e desta luta morreram mais de 500 índios – (Vide Historia da Bahia – Dr. Pedro Calmon – e Juazeiro na esteira do tempo – Dr.Edson Ribeiro).
A passagem do Juazeiro, Missão do Juazeiro prosperava, crescia, e todos já trabalhavam dando ao lugar um formato de povoado e assim D. Rolim de Moura Tavares – 1° Conde de Azambuja por lei, elevou a passagem, de Missão do Juazeiro a Julgado, sob jurisdição da Comarca de Jacobina – 1766.
Vila do Juazeiro A 09 de maio de 1833 – Dr. Joaquim Pinheiro de Vasconcelos elevou a Juazeiro à categoria de Vila. A Vila do Juazeiro – 09 de maio de 1833. Nessa data aconteceu então a emancipação política de Juazeiro, desmembrado-a de Sento-Sé. Em 1819, os sábios Von Martins e Von Spix aqui estiveram e identificaram uma Vila do Juazeiro com 156 casas.
Instalação do Município
O município foi instalado a 11 de junho de 1834. E a 1ª câmara de vereadores foi instalada a 14 de junho de 1834.
Juazeiro Cidade

A 15 de julho de 1878 – O Barão Homem de Mello, Dr. Francisco Inácio Marcondes Homem de Mello, governador da província da Bahia, assinou lei elevando Juazeiro á categoria de cidade. Naquela época Juazeiro contava 3.000 habitantes, 07 vereadores e 11 suplentes.
O 1° Intendente (Prefeito) foi o Sr.Cel. Francisco Martins Duarte.
Um segredo: Só em 1968, ao completar 90 anos de sua elevação à categoria de cidade, esta data de 15 de julho, o aniversário de Juazeiro começou a ser festejado. Foi na administração do Ex. Prefeito Joca de Souza Oliveira, que Bebela teve a felicidade de ser organizadora da programação dos festejos, por conta de naquela época ser a 1ª Secretária Municipal da Educação e Cultura de Juazeiro, e após pesquisa, apresentou ao Senhor prefeito Joca, a história, a data, e ele prontamente decretou o feriado do Dia da Cidade aprovando também a programação apresentada. Daí Juazeiro com razão começou a festejar o seu dia – O dia da cidade – O Aniversario da Cidade. Escrevi “Traço leves de um retrato antigo da minha cidade” E esse trabalho foi apresentado na sociedade 28 de Setembro, na sociedade Artífices Juazeirenses, e depois em 1969 no palanque da Rua 28 de Setembro em Mise-en-scène criadas e dirigidas por Orlando Pontes. Voltando a um passado bem distante, quero deixar claro que Juazeiro nasceu lá, na passagem do Juazeiro, passou a Julgado Missão do Juazeiro e foi crescendo a partir da passagem que fica lá nas imediações do Horto-Florestal – E, toda aquela região ficou conhecida como Juazeiro Velho – pois a partir da rua 15 de novembro, Juazeiro se desenvolvia, crescia, com um formato novo – daí pega a denominação de Juazeiro Velho – o inicio da cidade. Entenderam bem?

O cais do Juazeiro
Ai que saudade do Cais! Assim muitos dizem e suspiram inclusive eu...
E descendo as rampas vamos chegar aos Angarys. Depois falaremos dele, falemos do Cais.
O Cais de Juazeiro começou a ser construído em 1912 e coube ao Cel.Aprígio Duarte Filho Ex-Intendente e Ex Prefeito de Juazeiro a glória de construí-lo por inteiro, efetuar sua inauguração, e preservá-lo com carinho.
O cais tem tudo a ver com a nossa historia. A navegação no Rio São Francisco foi um fator maior do desenvolvimento socioeconômico e cultural de Juazeiro, como também foi a Estrada de Ferro Leste Brasileiro – A chegada dos trilhos e do trem de ferro a Juazeiro (do trem, da estrada falaremos depois).
O cais era o ancoradouro dos antigos “Gaiolas”, para nós os vapores da Viação Bahiana do São Francisco, da Indústria e da Mineira dentre outras empresas menos famosas. Do cais lenços brancos acenavam em saudoso adeus, ou acenava alegremente a chegada de alguém. Era bonito de se ver a chegada e saída dos vapores, das barcas, paquetes, cauvas, balsas... Dali do cais partiam os vapores ou chegavam, e com os apitos saudosos, dilaceravam corações de saudades... Ou impregnavam de alegria, expectativas e surpresas a vidas dos juazeirenses. Ai que saudade do apito do Barão! (Vapor Barão do Cotegipe). Ouve-se isso ate hoje... E vai se ouvir por muito tempo. O cais dos amores, dos desfiles e da elegância.
Ele foi lindamente arborizado com bonitas casuarinas, fícus-benjamim e as douradas acácias. Românticas e belas, desde outubro floresciam amarelas, ficavam douradas pronunciando as férias esperadas pelos estudantes que tinham no cais o espaço predileto para conversar, namorar e esperar o paquete para transportá-lo a Petrolina, muitos estudavam La no colégio Nossa Senhora Auxiliadora e Colégio Dom Bosco. E a curva do Cais? Era o local disputado pelos apaixonados. Era emoção para mirar a lua refletida no rio, na curva do cais...
Angarys

E descendo as suas rampas vamos chegar ao
Angarys das lavadeiras bonitas, da Mãe D’Água, do Cavalo Marinho, do misterioso Nego D’Água, do Cachorro D’Água que vai a festa no céu, do Minhocão, do Vapor Fantasma e até a Mula sem cabeça que gosta de por ali se avizinhar.
Angarys das lavadeiras, do gênio João Gilberto que compôs seu “Bim-Bom” no compasso do balanço das lavadeiras, do poeta-maior Euvaldo Macedo Filho, do boêmio-compositor Edésio Santos, do compositor Jota Mildes, esses dois contaram lindamente as lavadeiras do Angarys – Lavadeiras do Angarys – canção de Edésio e Mildes que já se transformou em um hino, uma canção de amor as lavadeiras e a Juazeiro. Belo Angarys, dos pés de araçá, dos Ingás, dos pescadores, nadadores, paqueteiro, canoeiros, barqueiros. Rua Goés Calmon - Rua da D’Apolo. As lojas da Rua da D’Apolo não eram como hoje, que tem forma de galpões, mas eram lojas bonitas como a Ideal Palácio do Ex – Prefeito de Juazeiro, o Cel. Miguel Lopes de Siqueira, tinha todo um toque, uma ambientação “belle-époque” um toque Francês a Juazeiro. A loja Leoni – de instalações de muito bom gosto. A casa Motta da família Raimundo Motta, o inesquecível Bazar Royal – da família Salomão Dumet – Era um bazar requintado onde se podiam comprar desde sabonetes, pastas, perfumes brasileiros e ate franceses, alem de material de costura, blocos, envelopes simples e de luxo, em suma, já disse: Era bazar requintado.

E hoje? Bicicletas, aparelhos de TV – rádios, antenas, parabólicas. Não no passado... Aqui bem na esquina ficava o café do Velhinho – Lá entre um cafezinho e outro eram resolvidos problemas e as providencias que deveriam ser tomadas no universo da política juazeirense, e entre chocolate e outro podiam ouvir “ti-ti-tis” da alta sociedade e do povão que naquela época diziam: “povinho“. E hoje se ouve por ai: ”Como era tão bom o café do velhinho...”. Seguindo aqui, onde é o Hotel Apolo, era a sorveteria e a foto Perez. Elegante sorveteria de saudosa memória, lá foi fabricada a primeira pedra do gelo de Juazeiro. E, em frente ao Perez – (Proprietário Sr. Angelo Perez) se situava outra importante sorveteria, A Glacial – de propriedade do Sr. Antonio Sorvetão, assim carinhosamente chamado. A Galcial se especializava em fazer sorvetes de frutas da época, eram deliciosos. Maria da Paz, sua filha era a gerente, e todos enalteciam o seu trabalho. Bem perto da Glacial (Atualmente Farmácia Juazeiro) ficava a então lendária Farmácia Viana – de propriedade do médico Dr. Adolfo Vianna tendo como farmacêutico auxiliar, o Sr. Pedro Benevides para todos os juazeirenses, o Sr. Piroca. Ainda na Rua da D’Apolo ficava a Rádio Juazeiro, de propriedade do fundador (1953) – Sr. Joaquim Borges. Numero 09 da Rua Góes Calmon – fica ai o sobrado do Sr. Enéas Ferreira Muniz – Construção de final do século XIX e início do século XX (atual Destaque). Embaixo funcionava a padaria e pastelaria Barão Enéas, como era conhecido. Residia com sua família no primeiro andar. É um sobrado que bem retrata a arquitetura do fim do século XIX e inicio do século XX. Nasci naquele sobrado, sou neta do Barão Enéas, e dele e do sobrado sinto grandes saudade. Recordo com saudades as minhas correrias pelas escadas, saudade do tempo que ficava a janela olhando a Rua D’Apolo, o carnaval, os desfiles e tudo mais. E, bem junto ao sobrado Yôyô, como assim eu o chamava ficava o Cine-Teatro São Francisco, de saudosíssima memória e hoje é mais uma loja de utensílios.






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