quinta-feira, 30 de setembro de 2010

29ª BIENAL DE SÃO PAULO

29ª BIENAL DE SÃO PAULO - CONCEITO

29ª BIENAL DE SÃO PAULO - PRETTY MUCH EVERY FILM AND VIDEO

DOUGLAS GORDAN - ESCÓCIA


O trabalho de Douglas Gordon é autorreferencial e desdobra-se como uma exposição de transformações do corpo e da obra do artista, explorada a partir da fotografia, do vídeo e da escultura. A utilização de elementos como crânios e espelhos expressa um desejo narcísico que coincide com uma tendência ao registro autobiográfico. A busca biográfica também é argumento para o artista debruçar-se sobre momentos das vidas de outras figuras midiáticas como Zinedine Zidane, jogador de futebol sobre quem realizou um filme em colaboração com Philippe Parreno. Pretty Much Every Film and Video Work from 1992 until Now. To Be Seen on Monitors, Some with Headphones, Others Run Silently, and all Simultaneously, 1992 – ongoing reúne cerca de setenta filmes e vídeos, quase todos os seus títulos realizados nos últimos dezoito anos. Trata-se de uma obra monumental e também de uma exposição retrospectiva, uma instalação em progresso contínuo que faz confluir em uma coleção e genealogia artística.

FONTE: 29ª BIENAL DE SÃO PAULO

29ª BIENAL DE SÃO PAULO

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

29ª BIENAL DE SÃO PAULO - SERMÃO DAS AVES

ANDREA BUTTNER

O conjunto de obras expostas na Bienal compila uma seleção de monotipias e gravuras em que cenas da vida de São Francisco de Assis representadas na pintura de Giotto são reconfiguradas em formato pequeno e grande. As impressões integram uma instalação em que são combinadas referências figurativas e ambiência sacralizada. As técnicas artesanais de reprodutibilidade de imagens conferem ao trabalho de Andrea Büttner a desaceleração e o desejo de singularidade que a experiência artística pode devolver à vida. São um ensaio sobre o quão propositivamente anacrônica pode ser a arte contemporânea.

FONTE: 29ª BIENAL DE SÃO PAULO

IDENTIDADE - 29ª BIENAL DE SÃO PAULO

29ª BIENAL DE SÃO PAULO - ARROZ E FEIJÃO

ANNA MARIA MAIOLINO


Anna Maria Maiolino migrou da Itália no pós-guerra e construiu sua carreira em países da América Latina, fixando-se no Brasil em 1960. Em experimentos ora matéricos – como a cerâmica, a pintura e a gravura –, ora documentais – como o vídeo e a fotografia –, a artista desenvolveu um observatório das formas sensíveis, de como a vida acontece e, a despeito dos riscos e adversidades, perdura. Os Fotopoemações, que Maiolino elabora processualmente ao longo dos anos, tomam imagens como sínteses de gestos poéticos e as mantêm abertas como um convite à autopercepção e à experiência do espectador. Solitário ou paciência confirma este convite através da disposição de uma mesinha do jogo de cartas individual no meio da exposição. Em Arroz e feijão, instalação feita durante a ditadura militar brasileira e poucas vezes remontada desde a volta do regime democrático, brotam sementes de arroz e feijão em pratos de louça servidos sobre uma longa e sombria mesa negra. Num monitor de vídeo, ao fim daquele ambiente sacralizado, semelhante a um altar, uma boca mastiga a comida que a artista toma como símbolo de morte e vida, tradição e renascimento, em uma sempre pulsante antropofagia cultural. 

FONTE: 29ª BIENAL DE SÃO PAULO 



29ª BIENAL DE SÃO PAULO - INFERNINHO

LUIZ ZERBINE, BRASIL

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

TRUQUES E MAGIA


O mágico John Mulholland, um dos mais conhecidos dos Estados Unidos, talvez nunca tivesse imaginado que um dia poderia trabalhar para o Governo. Por sua vez, a CIA - a agência americana de inteligência e reduto dos espiões - jamais poderia acreditar que um dia utilizaria técnicas mágicas. No entanto, profissionais e profissões – repletas de segredos – acabaram se encontrando em um dos mais tensos períodos da história mundial: a Guerra Fria. O resultado deste encontro está no livro “CIA - Manual Oficial de Truques e Espionagem” que a e Lua de Papel, do grupo LeYa, lança em setembro. A obra se baseia no único arquivo que não foi eliminado e acabou sendo encontrado por H. Keith Melton e Robert Wallace, em 2007: o manuscrito do manual de Mulholland com técnicas de mágica para os agentes da CIA, adaptadas como truques de espionagem.
Em 224 páginas, H. Keith Melton e Robert Wallace explicam que após uma experiência bem-sucedida da União Soviética com uma bomba-atômica, o Governo dos EUA teve que repensar sua estratégia para conter o avanço do comunismo e lutar em igualdade com a URSS – inimigo que o país considerava como “sem escrúpulos”. Por conta disso, a CIA foi autorizada a criar programas mais defensivos e surgiu o MKULTRA, um dos programas mais secretos e delicados da agência. E um dos seus 149 subprojetos era a contratação de John Mulholland, para ensinar aos agentes a aplicar as técnicas aprendidas por ele de forma discreta.
O que mais interessou à Cia foi o fato do mágico ser especialista em realizar seus truques a poucos metros da plateia. Considerado então como o professor perfeito, Mulholland foi contratado para desenvolver “manuais para espiões”. Entre os truques ensinados, vale destacar: “escapologia”, “troca de identidade”, “neutralização da expressão facial”, “manuseio de pó e líquidos”, além de “como colocar furtivamente uma pílula - ou outra substância - em uma bebida ou em uma comida a ser consumida por um alvo”.
Como contratado pelo órgão mais secreto do país, John Mulholland teve que fazer um juramento já muito conhecido para a sua profissão - o de nunca revelar um segredo. Acordo que tanto ele quanto a CIA cumpriram. O único exemplar dos manuais que, erroneamente, não foi destruído acabou encontrado por dois funcionários da agência, quase 50 anos depois de sua criação. Após atestarem sua legitimidade, Robert Wallace e H. Keith Melton restauraram o que foi possível dos manuscritos e o resultado é a compilação desses manuais supersecretos, alguns dos únicos documentos que sobraram para desvendar o misterioso programa MKULTRA.
Ficha Técnica
Título: CIA – Manual Oficial de Truques e Espionagem
Autores: H. Keith Melton e Robert Wallace
Formato: 16x23 cm
Brochura
Nº de páginas: 224
Preço: R$ 34,90

Sobre os autores
H. Keith Melton é uma autoridade na tecnologia de espionagem reconhecida internacionalmente. Consultor histórico da CIA, Técnico do Historian Tradecraft Interagency Training Center, Washington, DC, e autor de vários livros, incluindo Ultimate Spy.

Robert Wallace é o ex-diretor do escritório de Assistência Técnica da CIA. Ganhador da Medalha de Mérito da Inteligência, ele é o fundador da Artemus Consulting Group, uma empresa privada de segurança nacional, e colaborador do Centro da CIA para o Estudo da Inteligência.
Sobre a Lua de Papel
A editora Lua de Papel é uma das mais importantes do grupo LeYa – formado por 18 editoras em Portugal e que acaba de ser fundada no Brasil. Seguindo o caminho da matriz e com o objetivo de criar uma identidade própria e firmar-se como uma das grandes editoras no país, a editora Lua de Papel tem como Publisher, Pedro Almeida, e conta com uma equipe própria de editorial, marketing e comercial.

FONTE: FÓRUM DE DIREITO DE ACESSO A INFORMAÇÃO PÚBLICAS




FUTEBOL - CAMPEONATO BRASILEIRO SÉRIE A

CLASSIFICAÇÃO - CAMPEONATO SÉRIE A

MINHA TERRA-MÃE


       Sempre amamos mais nossa terra que qualquer outra. Há um enternecimento envolvendo o nosso torrão natal. Ele nos enlaça com suas tradições e nos prende tanto que, distantes dele, desejamos revê-lo. É o cordão umbilical unindo-nos à terra mãe.
       Por mais que nos encantem outras cidades, por mais longe que estejamos do nosso rincão, necessitamos dele para avivar crenças, arraigar convicções e reatar amizades. Quem já se ausentou por muito tempo de sua terra deve ter constatado esta verdade: somos cativos do lugar onde nascemos. Por isto rejubilamos ao ler nos jornais notícias que o enaltecem, preocupamo-nos com seu progresso e, quando longe, abraçamos alguém que mal conhecemos, mas que nos parece amigo por ter vindo de nossa cidade.
       Não sei que magia é esta a nos envolver quando nos referirmos à terra-mãe. Não importa seja ela menos bela que as demais. Nela criamos raízes, principalmente porque nossos antepassados aqui deixaram resquícios do seu viver. Nela sentimos o prazer da amizade criando elos e o entrelaçamento dos elos produzindo a corrente que nos agrupa em busca dos mesmos ideais.
        Nas ruas de Juazeiro redemoinha a saudade. Chega leve, matreira, com jeito de quem nada quer, mas faz reviravoltas em nosso coração. E, ao revolver os escombros na tela desbotada de nossa memória, traz reminiscências dos antigos carnavais matizados de confetes, do amanhecer e entardecer no rio São Francisco, do apito do trem saudando reencontros ou chorando adeuses, do aportar dos vapores no antigo cais da cidade, com aquela bonita balaustrada, sólida característica das cidades ribeirinhas. Saudade do vai-e-vem sem pressa, à noite, na passarela da rua da Apolo; das serestas ao som dos violões no aniversário da cidade; de um povo especial: religioso e contrito aos pés da Padroeira, irreverente e solto atrás do trio elétrico.                                                                                                                                                                                             
         Entristece-me ver que Juazeiro cresceu desordenadamente, com as praças reformadas, mas sem flores, com seu patrimônio histórico destruído como se o passado nada signifique. Também é verdade que o progresso, há muito tempo afastou-se daqui, esquecendo o caminho de volta. Entretanto, muito mais me entristecem as palavras de desprezo com que alguns a descrevem, alguns que se dizem revoltados ao compará-la com outras cidades, mas nada fazem pelo seu desenvolvimento. Falar com zombaria da terra onde nascemos é deselegante, denota ingratidão e mesquinhez. Se aquele que fala, nada faz para corrigir as coisas erradas, também nada constrói, pois revolta e apatia conduzem ao enfraquecimento democrático.
          Juazeiro de tantos encantos e desencantos! Tuas ruas tortas e estreitas são heranças do passado, quando ainda engatinhavas, sem que nossos antigos gestores pensassem no dia em que te erguerias, procurando rumos para te tornares uma grande cidade. Elas sabem tua história e conhecem projetos e vivências de tantos filhos ilustres que te engrandeceram: Aprígio Duarte, Edson Ribeiro, José Inácio da Silva, Agostinho Muniz, Bolívar Santana, Judite Leal Costa e tantos outros. Tens a beleza do rio São Francisco que, sereno e majestoso, retrata em suas águas a tua imagem com o mesmo encanto e magia com que reflete outras terras.
          No futuro, desejo que tenhas deputados, prefeitos e vereadores honestos, lutadores, conscientes de que só estão no poder por vontade de teu povo, a quem devem respeito, gratidão e o cumprimento das promessas feitas em prol de teu progresso. Que teu comércio se expanda, os hospitais se multipliquem, as praças refloresçam. Que surjam novas bibliotecas e o tão esperado centro de convenções, a fim de que teus filhos encontrem um local decente onde possam receber o diploma universitário a que tanto aspiraram, sem ser necessário recorrerem para isto à benevolência da cidade vizinha.
          Eu te louvo e saúdo com todo respeito e carinho por seres uma nordestina forte, sobrevivente a todos os desmazelos com que te tratam e, sobretudo, por seres minha Terra-Mãe!
             


                          Layze de Luna Britto    

sábado, 25 de setembro de 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

NILTON MIRANDA - ATOR


O ator, professor, palhaço, produtor e agitador cultura, Nilton Miranda com mais um dos seus personagens.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CARICATURISTAS

CARICATURA DE ZÉ BROCOIÓ - ADÃO ALVES

ALUNAS DO GINÁSIO RUY BARBOSA - 1959

MIÉCIO CAFFÉ - UM AMIGO DA ARTE



Caricaturista, pintor, cartazista, produtor de disco, pesquisador de Música Popular Brasileira, Miécio Caffé é um multrabalhdor pela cultura popular do Brasil.
Esse Juazeirense, deixou sua terra natal em 1947, radicou-se em São Paulo, em busca de melhores condições para desenvolver seu trabalho como desenhista. Na bagagem levou os primeiros disco de sua fabulosa coleção de 78 rpm que hoje atinge hoje 15 mil. Partiu não com a cara e a coragem, mas com a cara e o pincel.
Autodidata, foi no trabalho diário, primeiro numa gráfica, depois numa agência de publicidade que aprimorou seu traço. Traço este, unanimente reconhecido pela crítica como um estilo próprio. Depois trabalhou como caricaturista nas revista "Marmita", "O Governador", "O Riso", "Seleções Humoristica", "O Moscardo" e "Radar", da qual foi um dos seus fundadores juntamente com o editor Ênio Silveira e o teatrólogo Miroel Silveira, onde passaria a ter contato com todo o pessoal do rádio. Foi também na época do "Raver" uma revista que durou apenas quatro anos, que recebeu um convite para desenhar cartazes de cinema, trabalho que faz até hoje.
A partir de 1967, passou também a participar da produção de disco que traziam de volta velhas gravações das quais as fabricas já haviam destruídos as matrizes. 
Caffé colaborou com mais de cem produções para todas as gravadoras, emprestando seus disco, informações, lustrando capas e escrevendo textos.

ORIGEM: Museu Regional do São Francisco
DIRETORA: Rosy Costa
TEXTO: Bruno Santana

CARICATURAS DE NIÉCIO CAFÉ

MIÉCIO CAFFÉ

Miécio Caffé - a memória em nanquim (uma crônica possível)
Por Ruy Jobim Neto
21/10/2005

Para o baiano de Juazeiro, que morava frente a frente com o São Francisco (hoje, um rio às portas da UTI), que curtia atravessar as caudalosas águas a nado, desenhar a carvão em paredes branquinhas, o homem que primeiro caricaturou Pelé e José Vasconcelos, o criador imortal das Balas Futebol, qualquer crônica é pouca.
Muitas matérias saíram sobre o grande caricaturista em razão de sua morte, em março de 2002, aos 82 anos de idade. Várias foram as entrevistas ou por ele concedidas ou que ele mesmo empreendeu, durante os mais de 40 anos de residência em São Paulo, com os maiores nomes da MPB, de quem era amigo pessoal, com quem bebia whisky. Nem tão complicado é falar de Miécio, nem tão simples assim.
Fui o curador de sua última exposição. Ocorreu em São Vicente, no Litoral sul paulista, mui singelamente, no espaço climatizado do CCBEU. Foi quando tive os primeiros contatos com o passe-patourt. Só que desta vez eles eram para emoldurar a obra do caricaturista que, inclusive, esteve no local para prestigiar a si mesmo.
Miécio teve três momentos em vida, muito bem separados. Um, da infância na Bahia, a juventude boêmia no Rio e os tempos da soldadesca. O segundo, ao lado da amada esposa, a gaúcha Hedy, com quem viveu até a morte dela, em 1992. E, finalmente, depois disso tudo. O terceiro desses "movimentos", em adágio, foi o mais prolongado, o mais doloroso. Custou-lhe dez anos. Quase um réquiem.
Eu o conheci em 1986, na USP, nas colméias da Faculdade de Letras, numa palestra sobre quadrinhos, algo promovido pela Circo Editorial (de Luiz Gê e Toninho Mendes), algo para promover os artistas da casa. Miécio foi ao lado de Paulo Caruso. Miécio, de óculos escuros, sorridente, e Paulo, todo reverente ao mestre, fazia-lhe escada. Eu era um ouvinte, entre tantos.
Dez anos separaram esse momento do outro nosso encontro, quando eu, já professor de Histórias em Quadrinhos, fui-me perguntado por uma funcionária da Prefeitura de Praia Grande, a querida Carmen (filha da não menos querida e de grande lembrança, a professora Graziela Dias Sterque). A pergunta era se eu tinha notícia de que morava, naquelas paragens, um grande nome da caricatura brasileira. Logo quis saber quem era. Miécio Caffé de Oliveira. Propus-me a um telefonema para o artista.
Dele fiquei amigo, comecei a freqüentar sua casa. Acompanhei-o a Piracicaba, naquela fatídica passagem de agosto para setembro em que Lady Di morreu em Paris. No hotel, pela TV por assinatura, víamos as notícias sobre o fim trágico da princesa. No saguão, apenas a nata do nanquim brasileiro se tropeçava, encontrava, cumprimentava, saía e entrava de vans em direção aos variados eventos do Salão de Humor, em 1997. Miécio havia subido ao palco (com apresentação de Luis Fernando Guimarães) ao lado de outros dois monstros sagrados, Rodolfo Zalla e Lan. Os três foram homenageados.
Uma vez escrevi um artigo para o site Agaquê, do Núcleo de Pesquisa de História em Quadrinhos da USP sobre esses dias ao lado de Miécio. Um filme foi feito sobre ele, um curta-metragem. Afinal, em 35mm, nas telas, Miécio estará retido na memória dos que assistiram e dos que irão assistir a esse curta. Miécio, por sua vez, não está em muitos compêndios alfabéticos sobre a Caricatura nacional, o que não deixa de ser um deslize desses livros. Tempos de correções e erratas, por favor.
A coleção de discos de Miécio era algo de encher os olhos, mesmo sendo o rescaldo daquilo que outrora foi, e que foi entregue aos cuidados do MIS, em São Paulo. As capas com desenhos do artista eram briosas, as páginas antigas de jornal - todas muito bem catalogadinhas pela companheira Hedy, ao longo de minuciosos anos - eram de um cuidado só. Andar pelos quadros e fotos de Miécio ao lado dele era um privilégio, inclusive o quadro de dona Hedy, sobre a cama dele, um quadro com o efeito de enxergar, através dos doces olhos dela, quem quer que fosse, em qualquer ponto do quarto. Miécio se sentia protegido por um desenho que ele fez da esposa.
Ouvir música ao lado dele, não importasse o quê, era outro privilégio. Vê-lo chorar ao lembrar a querida esposa, e de como pretendia fazer-lhe companhia, era tocante. Ver as imensas galerias de fotos que ele possuía de seus "personagens" era passagem obrigatória. Lembro de Elis Regina, aos montes, num de seus gavetões metálicos. Lembro de ele falar como o pincel resolvia tudo, não ele. Tínhamos que perguntar ao pincel sobre a obra do caricaturista. Trabalhadores incansáveis, os dois.
 Outro momento que me ficou retido na memória foi um leilão promovido em São Paulo, em prol da saúde do grande artista. Muitos famosos foram, um e outro canal de televisão também o fizeram, e é o tipo de coisa que nos faz pensar que esses dias nossos de hoje são realmente muito estranhos - passam pessoas pela nossa herança cultural, pessoas às centenas, gente boa, feito Miécio, e os meios de comunicação em geral dedicam-lhes uma ou duas linhas, um obituário (se for o caso), uma matéria de uma ou duas colunas, um box pra preencher espaço - o famoso calhau - e no dia seguinte isso tudo é assoberbado por um atentado terrorista aqui ou acolá e fatalmente enrolará bananas ou peixes, dias depois.
Herança, enfim, está e fica retida em nós, em cada momento. Somos inexoravelmente o resultado, para melhor ou para pior, do que outros, anteriores, já experimentaram às expensas. Um acervo artístico e humano como o de Miécio fica guardado na nossa memória, exatamente como uma boa peça teatral. E, neste exato momento, entre uma roda ou outra de whisky, uma roda bem boêmia, ao lado de Vinícius, Orlando Silva, alguns jogadores famosos do passado - e a mais nova ingressa da turma, Emilinha Borba -, estão lá Miécio e sua amada Hedy, juntos. Mesmo que ele esqueça o nome de alguns ao cumprimentar, como era de costume. Mesmo que a esposa passe por trás dele, infinitas vezes, e com toda a paciência do mundo continue a dizer, eternidade afora: "Miécio, esse é fulano de tal".

 
Essa crônica me foi encomendada por Eloyr Pacheco, o sujeito para quem certa vez mostrei uma obra de Miécio, verdadeira raridade, de 1945, uma História em Quadrinhos do grande caricaturista - algo bem no estilo Lee Falk - chamada Fu Manchu. Um grande abraço, Miécio. E obrigado por ter conduzido o seu pincel com sua baianidade tão universal.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

JUAZEIRO - RIO SÃO FRANCISCO

FUNDADORES DO GINÁSIO RUY BARBOSA

GINÁSIO RUY BARBOSA

LEMBRANÇAS DO RUY BARBOSA 1959

ALUNOS DO GINÁSIO RUY BARBOSA




PROFESSOR AGOSTINHO MUNIZ


QUEM FOI O PROF. AGOSTINHO JOSÉ MUNIZ

Agostinho José Muniz (1901-1960). Nasceu em Juazeiro/BA. Foi aluno da escola primária do professor Luis Cursino da França Cardoso. Concluiu o curso ginasial no Colégio Estadual da Bahia em Salvador. Ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia e na Faculdade de Direito, tendo realizado os dois cursos ao mesmo tempo; porém, sem realizar a colação de grau, não obteve os respectivos diplomas. Em Juazeiro, ministrou aulas particulares de ensino primário e de preparação para o exame de admissão ao ginásio para muitos alunos, que ingressaram no Ginásio Dom Bosco em Petrolina. Atuou como advogado provisionado e defensor de causas trabalhistas para sindicatos de trabalhadores e para pessoas pobres em Juazeiro. Foi fundador de sindicatos de trabalhadores, de sociedades literárias, beneficentes e de partidos políticos, como a Sociedade dos Artífices Juazeirenses, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Anexos, Sindicatos dos Trabalhadores da Navegação Fluvial em Juazeiro, do partido político União Trabalhista de Juazeiro. Foi preso durante o período do Estado Novo, em 1937 e em 1939, acusado de pertencer ao Partido Comunista. Participou da fundação do Ginásio de Juazeiro em 1946. Ainda nesse mesmo ano, desloca-se para Salvador para trabalhar como secretário geral do Instituto de Química Agrícola e Tecnologia da Bahia. De volta a Juazeiro, foi eleito vereador para mandato no período de 1951 a 1955. Foi professor no Ginásio de Juazeiro e na Escola Nossa Senhora Auxiliadora em Petrolina. Fundou em 1953, com Valdiki Moura, e pessoas da sociedade juazeirense, a Cooperativa Cultural de Juazeiro Responsabilidade Ltda, que culminou com a instalação do Ginásio Ruy Barbosa, sendo seu primeiro diretor. Porém, é demitido, por perseguição política, em 1959. Foi fundador do jornal O Trabalho e colaborador em vários outros jornais de Juazeiro e da região, como O Eco, a Voz do São Francisco e O Farol, de Petrolina.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

VESTIBULAR 2011

Neste Vestibular, a UNEB está oferecendo 4.301 vagas em 27 cursos presenciais e mais 450 vagas para o bacharelado em Administração Pública na modalidade a distância (EaD).

SUGESTÕES DE OBRAS LITERÁRIAS

  1. Tendas dos Milagres - Jorge Amado.
  2. As meninas - Lygia Fagundes Telles.
  3. Bagagem - Adélia Prado.
  4. Teoria do Medalhão e o Homem que sabia Javanês - Machado de Assis e Lima Barreto
  5. Essa Terra - Antônio Torres.
  6. Cadernos Negros ( Os melhores contos) Antologia Publicada pelo Fundo Nacional de Cultura - MinC.

TENDA DOS MILAGRES - JORGE AMADO

Tenda dos Milagres é um romance do escritor brasileiro Jorge Amado, publicado em 1969. Esta obra serviu de base, ainda para adaptações, no cinema e na televisão, além de merecer traduções em alemão, árabe, búlgaro, espanhol, finlandês, francês, húngaro, inglês, italiano, russo e turco.
A ação se passa na Tenda dos Milagres, que era a gráfica de Lídio Corró no Pelourinho, na capital da Bahia, Salvador, terra povoada por afro-descendentes, maioria da população local, e fadada ao preconceito mas aguerrida na conquista individual de seu espaço na sociedade. Esse local também servia para encontros de pessoas do candomblé e capoeira de Angola.
O candomblé constitui-se em pano de fundo e Pedro Archanjo é o herói mestiço dessa história, mulato com algum estudo, protegido pelo professor da Faculdade de Medicina Silva Virajá.
Muitas das personagens de Amado foram baseadas em pessoas reais - quando não as inseriu com os próprio nomes em suas obras. O rábula João Romão foi baseado em Cosme de Farias - um célebre defensor dos pobres em Salvador, o professor Silva Virajá era o médico também célebre Pirajá da Silva.
Até a personagem principal, Pedro Archanjo, era inspirado numa pessoa real, um negro chamado Manuel Querino. Como no livro de Jorge Amado, Manuel Querino se notabilizou por escrever vários livros de caráter antropológicos e étnicos, como por exemplo um acerca da culinária baiana e, considerado muito importante, outro que traçava a genealogia da elite branca de Salvador, mostrando a sua miscigenação com a raça negra.
O adversário intelectual de Pedro Arcanjo é Nilo Argolo, provavelmente inspirado na figura do médico e antropólogo brasileiro Nina Rodrigues que ficou conhecido por suas idéias carregadas de preconceitos advindas das teorias de Lombroso e outros.
O cineasta Nelson Pereira dos Santos realizou, em 1977, o filme Tenda dos Milagres.
Tenda dos Milagres já foi um título de uma minissérie apresentada pela Rede Globo.

FONTE: Wikepédia

TENDA DOS MILAGRES - FILME

AS MENINAS - LYGIA FAGUNDES TELLES

O livro narra a história de três universitárias de condição social e origens diversificadas, que se conhecem em um pensionato de freiras na cidade de São Paulo, tornam-se muito amigas, apesar das diferenças de valores e personalidades, convivem durante algum tempo, compartilham seus dramas e sonhos, ajudam-se nos momentos difíceis e terminam por separar-se definitivamente. O encanto e a dificuldade aparente da leitura repousam no foco narrativo cambiante: Lorena Vaz Leme, Ana Clara Conceição e Lia de Melo Schultz contam a própria história através do fluxo de consciência, misturando suas falas, ações, lembranças e críticas recíprocas. Depois dessa surpresa inicial, o leitor acaba por identificar o estilo de cada personagem e sente-se desafiado a desvendar o universo interior das três "meninas"- uma paulista quatrocentona, uma baiana "terrorista" e uma modelo de moral "duvidosa" e viciada em drogas.

FONTE: coladaweb.com

LYGIA FAGUNDES TELLES

BAGAGEM - ADÉLIA PRADO

O livro Bagagem, foi a primeira publicação de Adélia Prado, de 1976, por indicação de Carlos Drummond de Andrade. Declaração da autora sobre a obra: "Meu primeiro livro foi feito num entusiasmo de fundação e descoberta nesta felicidade. Emoções para mim inseparáveis da criação, ainda que nascidas, muitas vezes, do sofrimento”.

Em seu poema "Fluência", ela relatou a sensação da estréia: "O meu alívio foi constatar que depois da festa o mundo continuava igual e a perplexidade que gerou Bagagem continuava intacta. Foi ver que a poesia não desertara de mim".

Do ponto de vista estilístico, destaca-se a combinação dos contrários, como tristeza e alegria, tanto quanto do lirismo e da ironia. Bagagem chamou a atenção da crítica pelo jeito diferente que a autora tem de dizer as coisas que sente e vê.

Em Bagagem, os poemas são distribuídos em quatro grandes seções. Essas seções se configuram segundo um variado mapa existencial, que se divide entre as coordenadas da “poesia”, do “amor” e da “memória”, além daquela “alfândega”, de sentido mais escorregadio mas nem por isso menos sugestivo (pensemos num contraponto com o título do livro). O cotidiano é, sumariamente descrito, o espaço próprio das vivências imediatas, recebendo freqüentemente a carga do trivial, que é a polaridade “terrena” das ofegantes aspirações ao sublime.

O poema "Com licença poética" parafraseia o "Poema de Sete Faces", de Drummond:

Poema de Sete Faces

Quando nasci,
um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai Carlos!
ser “gauche” na vida. (C. Drummond de Andrade)

1. COM LICENÇA POÉTICA

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
(dor não é amargura).
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

2. GRANDE DESEJO

Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai.
quando é bom, fico bruta,
as sensibilidades sem governo.
Mas tenho meus prantos,
claridades atrás do meu estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome
e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,
a uma lápide, a um descampado,
para chorar, chorar, e chorar,
requintada e esquisita como uma dama.

3. ENREDO PARA UM TEMA

Ele me amava, mas não tinha dote,
só os cabelos pretíssimos e um beleza
de príncipe de estórias encantadas.
Não tem importância, falou a meu pai,
se é só por isto, espere.
Foi-se com uma bandeira
e ajuntou ouro pra me comprar três vezes.
Na volta me achou casada com D. Cristóvão.
Estimo que sejam felizes, disse.
O melhor do amor é sua memória, disse meu pai.
Demoraste tanto, que...disse D. Cristóvão.
Só eu não disse nada,
nem antes, nem depois.

FONTE: passeiweb.com

ADÉLIA PRADO

TEORIA DO MEDALHÃO - MACHADO DE ASSIS

Teoria do Medalhão é um conto criado pelo escritor realista Machado de Assis, originalmente publicado na Gazeta de Notícias, no ano de 1881, e posteriormente integrado ao livro Papéis Avulsos.
Neste texto o autor, por meio de um discurso bivocal, apresenta conselhos inescrupulosos de um pai para um filho visando à alcançar prestígio em uma sociedade de aparências. Edificado sobre as bases da ironia, a obra aponta para a valorização do parecer acima do ser, analisando o comportamento medíocre por meio do qual se pode ascender socialmente sem grandes esforços.

Às onze horas da noite, findado o jantar que comemorava os vinte e um anos do jovem Janjão, este senta-se com seu pretensioso pai para conversarem um pouco. A figura do pai é caracterizada pelo intenso desejo de realizar-se em seu filho, a quem trata com respeito e, sobretudo, com orgulho. Após demonstrar a Janjão as incontáveis possibilidades profissionais das quais este pode se servir em razão de sua juventude, o pai revela-lhe que caminho a ser percorrido doravante é longo e de muitos desgostos. Desse modo, convém reservar um “ofício” de estabilidade superior ante qualquer outro: o de “medalhão”. A figura do medalhão é empregada analogamente, ou seja, assim como o medalhão trata-se distintivo – aquilo que se mostra para ser distinguido – a pessoa que assume essa posição se comporta de tal modo que é diferenciada das demais. O pai conta que alcançar o sucesso como um medalhão sempre foi o sonho de sua vida que não pôde ser realizado e que para tanto é exigido bastante tempo.
Segundo o discurso paterno, para se tornar um genuíno medalhão, Janjão deve renunciar à possibilidade de ter idéias próprias evitando qualquer sorte de atividade que propicie o movimento independente do intelecto. Este que, limitado à disciplina e à sobriedade, deve sucumbir ao peso da tradição e ao saber já consolidado: o aspirante a medalhão insere sempre em sua oratória sentenças, versos e máximas célebres. Trata-se da submissão aos pensamentos alheios e anteriores a ele – pérolas de sabedoria popular conhecidas como frases feitas. A sistemática utilização dessas inúmeras “convenções consagradas pelo tempo” despreza a originalidade duvidosa dos tempos modernos. Aquilo que deve ser valorizado não é a crítica ou refutação daquilo que existe hoje (resultado da tradição) mas, pelo contrário, é importante contribuir para a permanência do antigo aproveitando-se dele para ser reconhecido em uma sociedade que aprecia a estabilidade. Diz o pai ao filho que, além de cansativo, a busca pela interrogação frutifica novas idéias que serão tidas como falsas pelo meio e, portanto, desvalorizadas. Seguir este percurso significa avançar em direção contrária ao cobiçado posto de medalhão.

ORIGEM: Wiikepédia

O HOMEM QUE SABIA JAVANÊS - LIMA BARRETO

Neste conto de Lima Barreto, um personagem chamado Machado conta para seu amigo Casto sua aventuras, mais especificamente sua participação como professor de javanês que não sabia uma palavra do mesmo idioma.[BR]O protagonista que estava desempregado vê um anuncio que oferece um empregos para professores de javanês, se tratava de um senhor que tinha um livro antigo que segunda crenças de família era detentor de prosperidade, felicidade e pode. Para que tais feitos realizassem-se era necessário ler o tal livro é exatamente aí que nosso amigo Machado entra na história, pega o cartaz do anúncio de emprego e lenvando em consideração que nunca nem ouviu falar do tal javanês entra em uma biblioteca e vai em busca de algumas informações.[BR]No dia seguinte aparece na casa do Barão de Jacuecanga que o mostra e explica toda história de crendices, Machado olha para o livro e percebe que as primeiras páginas estão escritas em inglês, idioma esse que ele conseguia ler, o velho como nunca havia aberto o livro não sabia dessa primeiras páginas em inglês e fica estupefato ao ouvir o "professor" ler tais páginas.[BR]Para sorte de Machado o velho não precisaria saber mais de duas palavras por dia, pois não conseguia assimilá-las facilmente. "Dentro em pouco, dava a minha primeira lição, mas o velho não foi tão diligente quanto eu. Não conseguia aprender a distinguir e a escrever nem sequer quatro letras. Enfim, com metade do alfabeto levamos um mês e o Senhor Barão de Jacuecanga não ficou lá muito senhor da matéria: aprendia e desaprendia." Isso facilitava o trabalho dele, assim dava tempo de ele se adiantar em suas pesquisas do idioma de Java. Um determinado dia o dono do livro entediado com as aulas desiste de aprender o javanês e propõe a Machado que ele traduza o livro, tudo que o malandro sempre sonhou, como já foi dito antes o personagem principal não sabia uma palavra de tal idioma, sendo assim aproveitou a bobeira do velho e inventou todo o livro se traduzindo estivesse. “Sabes bem que até hoje nada sei de javanês, mas compus umas histórias bem tolas e impingi-as ao velhote como sendo do crônicon. Como ele ouvia aquelas bobagens !... Ficava extático, como se estivesse a ouvir palavras de um anjo. E eu crescia aos seus olhos !” [BR]Esse feito tornou Machado popular em toda cidade como o único homem por lá detentor do conhecimento javanês, toda a cidade o admirava inclusive o genro do Barão. “Mas com o que tu vais ficar assombrado, meu caro Castro, é com a admiração que o genro ficou tendo pelo professor de javanês. Que coisa Única! Ele não se cansava de repetir: “É um assombro! Tão moço! Se eu soubesse isso, ah! onde estava !” Na secretaria dos estrangeiros também foi bem recebido por ter tal conhecimento. O diretor chamou os chefes de secção: "Vejam só, um homem que sabe javanês - que portento!" Os chefes de secção levaram-me aos oficiais e amanuenses e houve um destes que me olhou mais com ódio do que com inveja ou admiração. E todos diziam: "Então sabe javanês? É difícil? Não há quem o saiba aqui!" Machado tanto fez que acabou sendo convidado a representar o Brasil no Congresso de Lingüística. O protagonista malandro se aproveitou da ignorância daqueles que o rodeavam para se dar bem, o barão que veio à falecer, fez uma deixa para ele no testamento e passou o livro para seu genro para que desse ao neto quando chegasse a idade. Machado foi despachado Cônsul de Havana passa seis anos lá e volta para aperfeiçoar seus conhecimentos das línguas da Malaia, Melanésia e Polinésia.

FONTE: shvoong.com

ESSA TERRA - ANTÔNIO TORRES

Um novo sertão na literatura brasileira: Essa Terra, de Antônio Torres
A história narrada no romance Essa Terra, que Antônio Torres publicou em 1976, desenrola-se em espaços que têm referentes precisos na geografia do Brasil: as povoações do Junco, de Feira de Santana e Alagoinhas, situadas no interior do Estado da Bahia, e a cidade de São Paulo. Esta última, Alagoinhas e Feira de Santana surgem como áreas complementares, com maior ou menor importância no plano das ações e no nível do sentido, ao passo que a cidadezinha do Junco, atualmente denominada Sátiro Dias, forma o território fulcral da narrativa, aquele para o qual apontam em primeiro lugar os títulos da obra e das suas quatro partes. Embora a realidade geográfica do sertão brasileiro não esteja perfeitamente determinada — dado que em certas definições corresponde a todas as terras e povoações do interior, por oposição às do litoral, em outras engloba apenas as áreas mais desertas e distanciadas da costa e dos grandes centros urbanos e ainda noutras se restringe à zona interna da região nordestina, caracterizada por secas periódicas e pelo domínio da caatinga —, não resta dúvida de que ele é o espaço referencial nuclear de Essa Terra, pois o centro do mundo construído na narrativa (assim como algumas das suas periferias) se enquadra bem em qualquer das acepções mencionadas.
As formas e o significado que a representação do sertão assume nesse romance constituem a matéria do presen te trabalho que busca, simultaneamente, posi cioná-lo no quadro de uma possível “literatura sertaneja”. Tal designação se aplica aqui à produção literária erudita — da qual se excluem as produções de caráter popular como a literatura de cordel — em que se verifica uma estreita relação entre o universo ficcional e a realidade física e humana do sertão e que diversos estudiosos demonstraram constituir um filão que atravessa a Literatura Brasileira desde o Romantismo. Nessa literatura, a manipulação dos aspectos físicos, sociais, econômicos, políticos, culturais e lingüísticos do universo sertanejo tem, como não podia deixar de ser, mudado ao longo dos tempos. A visão que lhe está subjacente varia entre dois extremos opostos, caracterizando-se ora pela idealização, pela exaltação, pelo otimismo, ora, ao contrário, pelo realismo, pela atitude crítica, pelo pessimismo, quando não combina tais características em proporções e com efeitos variados. Nem mesmo no conjunto das obras que evidenciam uma forte marca de “veracidade” na composição do universo fic cional se encontra um retrato uniforme do sertão, porque, necessariamente incompleta, a imagem produzida em cada uma delas resulta da seleção, da combinação e da funcionalidade, no interior do texto, dos elementos extraídos do real. Daí a existência não de um, mas de muitos sertões na Literatura Brasileira. Há, contudo, semelhanças nessas representações, explicáveis, em parte, pelas circunstân cias históricas e pelas correntes estéticas atuantes na época de produção das obras, em parte, por motivações de natureza subjetiva.

Vania Pinheiro Chaves
Professora de Literatura Brasileira na Faculdade de
Letras da Universidade de Lisboa

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ANTÔNIO TORRES

Antônio Torres (Sátiro Dias, 13 de setembro de 1940) é um escritor brasileiro. Nasceu em 1940, num povoado chamado Junco (hoje a cidade de Sátiro Dias), no sertão da Bahia. Descobriu a vocação literária na escola rural de sua terra, incentivado pela professora. Logo começou a escrever as cartas dos moradores da cidade, a recitar poemas de Castro Alves na pracinha da cidade, a ajudar o padre a rezar missa em Latim. Estudou em Alagoinhas e Salvador, onde se tornou repórter do Jornal da Bahia. Foi jornalista e publicitário em São Paulo e em Portugal. Depois de muitas andanças pelo país e pelo mundo, radicou-se no Rio de janeiro onde reside em Itaipava (Petropólis). Hoje é um dos escritores mais conhecidos de sua geração, com livros traduzidos na Itália, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda, Israel, Bulgária, entre outros.
É casado desde janeiro de 1972 com a professora doutora Sonia Torres, com quem tem dois filhos, Gabriel Torres (7 de julho de 1974) e Tiago Torres (29 de março de 1977).

FONTE: Wikepédia

CADERNOS NEGROS - POEMAS

O livro Cadernos Negros - Os Melhores Poemas traz textos escolhidos dos dezenove primeiros volumes da série. Os poemas têm raízes ancestrais e desenvolvem a reflexão poética sobre a vida e a cultura dos afro-brasileiros, deixando o livre-pensador em posição de vôo. A poesia contida nesta obra aloja-se em nossa alma, em nossos desejos.

Os textos mostram uma fase especialmente interessante da poesia: sua dimensão social e histórica, a qual é expressa pela abordagem que se faz da verdadeira história dos afro-brasileiros, uma história extraída dos subterrâneos da memória.

Os poetas também mergulham em vários temas, como a fome, o feminismo, a violência urbana, a batalha das classes excluídas e o preconceito racial contido nas relações humanas do dia-a-dia. Mas é, sobretudo, na mobilização das energias voltadas para a celebração da vida, para a exaltação da continuidade de lutas, sonhos, esperanças e amores, é aí que se encontra a força dos poemas, com seus versos polirrítmicos, com sua variadas formas, com sua musicalidade herdada de tradições africanas.

ORIGEM: passei web.com.

Alguns textos extraídos da obra

1. EU-MULHER (Conceição Evaristo)

Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.
Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo
Antes - agora - o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.

Comentário: Conceição Evaristo, neste poema, exibe um corpo de mulher talhado por significantes que dizem da função geratriz inscrita no corpo da mulher: Eu-mulher em rios vermelhos / Inauguro a vida / Em baixa voz / Violento os tímpanos do mundo. / Antevejo. / Antecipo. / Antes-vivo / Antes agora o que há de vir. / Eu fêmea-matriz. / Eu força-motriz./ Eu-mulher / abrigo da semente / moto-contínuo / do mundo.


2. LINHAGEM (Carlos Assumpção)

Eu sou descendente de Zumbi
Zumbi é meu pai e meu guia
Me envia mensagens do orum
Meus dentes brilham na noite escura
Afiados como o agadá de Ogum
Eu sou descendente de Zumbi
Sou bravo valente sou nobre
Os gritos aflitos do negro
Os gritos aflitos do pobre
Os gritos aflitos de todos
Os povos sofridos do mundo
No meu peito desabrocham
Em força em revolta
Me empurram pra luta me comovem
Eu sou descendente de Zumbi
Zumbi é meu pai e meu guia
Eu trago quilombos e vozes bravias dentro de mim
Eu trago os duros punhos cerrados
Cerrados como rochas
Floridos como jardins

Comentário: No poema "Linhagem" (acima), através do verso "Eu sou descendente de Zumbi", o poeta evoca uma ancestralidade que tem a ver com a trajetória de batalhas dos afro-descendentes no Brasil. Uma trajetória cujas raízes remontam a Palmares e ao guerreiro que melhor simbolizou a trajetória do quilombo, e que atualmente consta do panteão oficial dos heróis brasileiros.

Antologia Publicada pelo Fundo Nacional de Cultura/Minc

LANÇAMENTO - CADERNOS NEGROS CONTOS

CADERNOS NEGROS (OS MELHORES CONTOS)



Em 1978 surgiu o primeiro volume da série CADERNOS NEGROS, contendo oito poetas que dividiam os custos do livro, publicado em formato de bolso com 52 páginas. A publicação, vendida principalmente em um grande lançamento, circulou posteriormente de mão em mão, sendo distribuída para poucas livrarias, mas obteve um expressivo retorno dos que tiveram acesso a ela.
Desde então, e ininterruptamente, foram lançados outros volumes - um por ano - alternando poemas e contos de estilos diversos. A distribuição aperfeiçoou-se, procurando chegar a um público mais amplo e diversificado do que aquele atingido pelos primeiros volumes. Escritores de vários Estados do Brasil vêm publicando nos Cadernos. É preciso assinalar que não existem outras antologias publicadas regularmente com textos de autores afro-brasileiros, em grande parte devido às dificuldades financeiras inerentes às publicações deste tipo. Sendo assim, os Cadernos têm sido um importante veículo para dar visibilidade à literatura negra.

Antologia Publicada pelo Fundo Nacional de Cultura/Minc
TEXTO: quilombhoje.com.br

UNEB - VESTIBULAR

domingo, 19 de setembro de 2010

O SAUDOSO POETA JURANDIR ALVES

Jurandir, contador, poeta, músico, letrista, jornalista, agitador cultural, fundador de jornal, escritor, sonhador, cantor de festival, politico, era energia e alegria total.
Estava sempre em atividade não parava um minuto, ele fazia, respirava e vivia cultura.
Quanta falta faz o poeta. Que você tenha muita paz ai no céu.

Jurandir chegando no céu.
- São Pedro quero ser o contador daqui?
- Não, meu filho, não dá!
- Mas, São Pedro, o senhor não tem confiança na minha pessoa?
- Tenho! Confiança em você, mas você pode deixar todo mundo de Juazeiro entrar.

FOTO: Adão

VERDE QUE TE QUERO VERDE

A PRAÇA MAIS VERDE DA CIDADE

Do Mirante do museu, os oitizeiros e a Igreja Catedral de Juazeiro que ficam na Praça Imaculada Conceição.

O oiti é o fruto do oitizeiro (Licania tomentosa), árvore da família Chrysobalanaceae que pode atingir altura entre 8 a 15 metros.
Espécie típica da flora brasileira, esta árvore encontra-se em abundância no nordeste brasileiro, em especial nas áreas ocupadas pela Mata Atlântica. Devido ao seu caráter genuinamente regional, o oitizeiro é uma árvore-símbolo da Região Nordeste, com grande valor simbólico principalmente no estado de Pernambuco.

É muito usada na arborização urbana por sua copa frondosa que dá ótima sombra.

Os Oitizeiros da Praça Imaculada Conceição, um pouquinho do Rio São Francisco e Petrolina ao fundo.

PRAÇA IMACULADA CONCEIÇÃO - MEMÓRIA

Os oitizeiros ainda pequenos em frente do Museu Regional do São Francisco.

OITIZEIROS - PRAÇA IMACULADA CONCEIÇÃO

A Praça Imaculada Conceição é cheia de oitizeiros. árvores que produzem uma boa sombra para a população.

Não podemos descuidar com a sua conservação, são árvores com mais de 60 anos.

Os oitizeiros, a igreja visto do Mirante do Museu Regional do São Francisco.

VIAGEM PITORESCA E HISTÓRICA AO BRASIL - DEBRET

Jean-Baptiste Debret ou Debret (Paris, 18 de abril de 1768 — Paris, 28 de junho de 1848) foi um pintor e desenhista francês. Integrou a Missão Artística Francesa (1816), que fundou, no Rio de Janeiro, uma academia de Artes e Ofícios, mais tarde Academia Imperial de Belas Artes, onde lecionou pintura.
De volta à França (1831) publicou Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839), documentando aspectos da natureza, do homem e da sociedade brasileira no início do século XIX.
Uma de suas obras serviu como base para definir as cores e formas geométricas da atual bandeira republicana, adotada em 19 de novembro de 1889.

Debret tenta mostrar aos leitores - em especial europeus - um panorama que extrapolasse a simples visão de um país exótico e interessante apenas do ponto de vista da história natural. Mais do que isso, tentou criar uma obra histórica; mostrar com detalhes e minuciosos cuidados a formação - especialmente no sentido cultural - do povo e da nação brasileira; procurou resgatar particularidades do país e do povo, na tentativa de representar e preservar o passado do povo, não se limitando apenas a questões políticas, mas também a religião, cultura e costumes dos homens no Brasil.

ORIGEM: Wikipédia

DEBRET

Por estas razões, a obra de Debret é considerada grande contribuição para o Brasil, e é freqüentemente analisada por historiadores como uma representação (um tanto quanto realista, apesar de não ser perfeita) do cotidiano e sociedade do Brasil – em especial, da vida no Rio de Janeiro – de meados do século XIX.
Publicada em Paris, entre 1834 e 1839, sob o título Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, ou séjour d´un artiste française au Brésil, depuis 1816 jusqu´en en 1831 inclusivement, a obra é composta de 153 pranchas, acompanhadas de textos que elucidam cada retrato.


Na obra Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, pode ser observada uma forte influência do iluminismo francês, principalmente da Enciclopédia de Denis Diderot, pois Debret não se prende apenas à representação de batalhas, cenas importantes e feitos grandiosos do país. Debret, como já dito anteriormente, representa cenas e características do cotidiano e da sociedade brasileira, como casas, ocas de índios, rostos de pessoas (para tentar mostrar as características do povo brasileiro).


Ele procura representar o caráter do povo; seus costumes, festas populares (e da corte), relações de trabalho e utensílios e ferramentas utilizadas pelo povo. Essa proposta de certa forma enciclopédica, de conseguir acumular em livros o máximo de informação e conhecimento acerca de determinado assunto, faz parte dos ideais de diversos iluministas da França do final do século XVIII e início do século XIX – entre eles, o caso mais famoso talvez seja o de Diderot e sua Enciclopédia (l'Encyclopédie, no original), obra que com certeza inspirou Debret acerca de suas representações do Brasil em Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil.

ORIGEM: Wikipédia
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