quinta-feira, 5 de julho de 2012

Lampião no Município de Juazeiro

Jorge de Souza Duarte
Vindo das bandas do Cumbe, atualmente Euclides da Cunha, Lampião, em seguida à primeira luta travada em território baiano, onde morreram os soldados Juvenal A. da Silva e Francisco G. Filho, bem como o Sargento José Joaquim de Miranda, em companhia de bandidos, inclusive Corisco, tomou a direção do município de juazeiro, passando pelo lado leste das terras do município de Curaçá. Percorrendo várias léguas/dia, teve a polícia do Tenente Odonel no seu encalço e foram direto ao povoado da Abóbora, onde existiam nada menos de 15 casas, um recém inaugurado cemitério e um barracão de feira, este no local onde existem um mercado. Discutia-se àquela época, se Abóbora estava no município de Senhor do Bonfim ou de Juazeiro, pendência que foi resolvida anos depois com a criação do município de Jaguarari, ocasião em que se fez a linha divisória dos municípios pela parte Leste do povoado, hoje vila, que passou a pertencer, desta forma, a Juazeiro. Passando, ao largo, por Poço de Fora e Esfomeado, o Tenente Odonel Francisco da Silva, com 15 homens inicialmente, dos quais sete desistiram da perseguição pelo fator cansaço, e depois, com apenas 8 contratados, inclusive o Sargento Manoel Santos Vieira (Vieirinha). seguia as pegadas do Rei do Cangaço, quando estávamos a 6 de janeiro de 1929. Em meio à caminhada ingrata pelos sertões ressequidos do Nordeste, sem sombras e sem água, a polícia chega a um casebre, onde tem notícias de que por ali passaram, a cerca de meia hora, alguns asseclas do “Capitão” Virgulino. Essa informação importante fora dada por um caatingueiro ali residente. Seguindo os rastros dos malfeitores, o Tenente Odonel vai, “de bala na agulha”, pronto para um combate a qualquer momento.
 Há quem sustente que o grupo de Lampião chegara a Abóbora dividido em duas alas, a primeira delas tendo chegado no dia anterior. Os que chegaram antes, segundo se dizia, estavam se divertindo, bebendo muito e dançando com as moças do povoados. Algumas pessoas da casa onde tocavam sanfona, viram a polícia atrás do cemitério e deram o grito de alerta. Foi um corre-corre, com muito tiros em direção à casa e ao cemitério, muita gente gritando e correndo - era dia de Feira. Um tio do autor, José de Souza Duarte (Grosso), saiu a cavalo em disparada pela estrada do povoado à Rancharia, e, ao seu lado, um moço da família Itabaiana corria com um enorme saco de farinha às costa e dizia por repetidas vezes: “Corre seu Grosso, que os bandidos vêm aqui perto”. Realmente, informou o cavaleiro, o tiroteio parecia ser bem próximo. A luta não durou uma hora, depois do que se constatou a morte de Mergulhão - Antonio Juvenal da Silva, do lado de Lampião; dois policiais foram feridos e o próprio Tenente Odonel. Os bandidos se internaram nas caatingas das proximidades, alguns feridos, constando que sairam ilesos apenas Lampião e Corisco. Foi esta a forma violenta que Lampião ingressou nas terras do município de Juazeiro.
Livro: Lampião no Município de Juazeiro - Jorge de Souza Duarte
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