domingo, 26 de janeiro de 2014

100 Anos do Carnaval de Juazeiro da Bahia - Exposição no Museu Regional do São Francisco

Em Juazeiro-BA, o carnaval foi oficializado em 1914, com a fundação do clube carnavalesco Embaixadores de Veneza, com muito luxo, pedrarias, carros alegóricos, despertando assim o espirito carnavalesco no Juazeirense festivo. Caracterizou-se nos três dias de folia, com entrudos (brincadeiras de agua) e talcos ou outros tipos de pós.

Durante o dia os clubes centrais, como Sociedade Apolo Juazeirense, 28 de Setembro, Artífices Juazeirense e outros, recebiam os animados foliões, fantasiados com confetes, serpentinas e lança perfume Rodouro (metálico), para as dançantes matinés, ao som do jazz ou orquestras vindas de Jacobina e da própria região.

Quem não queria brincar em clubes ficava pelas ruas pulando ao som das músicas transmitidas pelas caixas de som instaladas nos postes (rua da 28 de Setembro e rua d’Apolo) ou sambando ao batuque de alguns foliões mais animados. Uns mascarados de monstros (látex) correndo atrás dos meninos, homens vestidos de mulher, com sutiã, saia curta de babados, sapato alto e sombrinha, outros nos mais extravagantes trajes.
O povo enchia as bisnagas de perfume, xixi ou mesmo água e jogava nos mascarados que passavam em grupos. Dentre esses mascarados destacava-se o grupo de mulheres casadas, que logo após os afazeres domésticos, colocavam uma mortalha de preferência estampada, com um capuz escondendo o rosto, luvas para esconder a aliança (naquele tempo mulher casada não ficava sem aliança), e meias grossas com sapatos sete vidas (conga), fala fina e andar diferente, para não ser reconhecidas.

E lá saia o grupo entrando nas casas conhecidas, cantando, bebendo e comendo, até as dezoito horas quando regressavam ao lar. Contavam algumas que entravam nos bares e sentavam no colo dos próprios maridos e eles, cheios de vida, pensavam que eram outras.
A tarde também acontecia o desfile de carros, de preferência sem capota, tipo Fubica, Jeep e caminhonetes, que subiam a Carmela Dutra e desciam pela rua d’Apolo, formando assim o famoso Corso (desfile de carros repletos de foliões) com lança perfumes, fantasias, confetes e serpentinas, combinando com a alegria do povo que assistia nas calçadas e aplaudia o carro mais animado e enfeitado. Isto ia até as 18h30, quando se iniciava o desfile dos blocos ou cordões das “Mulheres da Boa Esperança” – Verdadeiro Show de luxo e beleza. Após esse horário cada um ia para sua casa descansar, pois no outro dia começava tudo de novo.

A partir de 1955, à noite, as batucadas faziam a festa disputando o título da melhor do ano, mas nada igual à batida cadenciada da Cacumbú.
A porta bandeiras criava malabarismo e os componentes orgulhosamente ostentavam o nome da escola, contando com a participação do povo que cantava e dançava até as 23h, quando se ouvia o hino da 28 de Setembro e da Sociedade Apolo Juazeirense, avisando que o carnaval nesses clubes estava começando para terminar com o nascer do sol.

A Quarta feira de Cinza tinha o sabor do bem e da saudade: “São três dias de folia e brincadeira, você pra lá e eu pra cá até quarta-feira…”.

Hoje o carnaval de Juazeiro se adéqua aos novos tempos. Trios Elétricos, blocos disputando qual o mais bonito abadá e camarotes complementam a festa de momo. Mas a tradição dos antigos carnavais de fantasias e máscaras ainda caminha pelas ruas de Juazeiro.

Mistura de ritmos, sons, culturas. Uma festa que tem como identidade a alegria de um povo festeiro. Dessa forma se compõe o Carnaval no Brasil e em Juazeiro não poderia ser diferente. Cidade abraçada pelo Rio São Francisco que traz no rosto da sua gente, a hospitalidade e o encanto da Bahia.
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