terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Seu Bá, O Delegado Bom.


José Guilherme da Cunha
Apolinário Pereira Xavier é o seu nome. Mais conhecido como Bá, assim como Antônio é Tonho, Manoel é Né e Waldemar é Vavá. Homem inteligente e de razoável cultura, comparando-se com o meio em que vive e ao seu incipiente curso primário, seu Bá costuma ler escritores célebres, como Victor Hugo, José de Alencar e Euclides da Cunha, não perdendo oportunidade para citá-los numa conversa informal. Mas o que mais o caracteriza é a sua natural vocação para a concórdia. Seria um excelente Juiz de Paz. Como delegado de polícia, esteve sempre em contradição com a tendência à violência inerente ao cargo que ocupava.
Seu comportamento nas audiências - sempre procurando a justiça e os bons conselhos - dera-lhe os apelidos de “Beato Zé Lourenço” e “Antônio Conselheiro”.
Seu Bá não é mais o delegado. Agora, os “casos” de Juremal vão para a delegacia de Juazeiro; e o povo - lamenta a falta do “Beato” e do “conselheiro”.
Dezesseis anos como delegado, não constituiu uma inimizade sequer.
Certa Feita ele prendeu Luís Carlos. Horas depois o libertava, “porque foi o ante mais infeliz que já em Juremal” - dissera seu Bá e acresentava: - “Toda vez que eu prendo alguém, na saída da delegacia já agarram em meu paletó diversas pessoas, pedindo pelo preso. E ninguém pediu por você. Vá-se embora. Você é muito infeliz...”
Acredito que, na histôria das crônicas policiais, foi a primeira vez que alguém foi livertado por ser infeliz.
Era assim o delegado Bá: Bom, justo e respeitador consciente dos Direitos da Pessoa Humana.
LIVRO: Esquina de Badu - José Guilherme da Cunha
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