domingo, 15 de maio de 2011

Roda de São Gonçalo e seus Guias

São Gonçalo
São Gonçalo é um santo português, cuja devoção foi introduzida no Brasil por seus conterrâneo colonizadores. As rodas de São Gonçalo representam uma maneira muito original de rezar. De Portugal chegaram às barrancas do São Francisco. Dizem que São Gonçalo ficou Santo, porque jovem sacerdote muito preocupado com a prostituição em sua terra convidado moças, rapazes e prostitutas para brincarem de roda, dançando nos terreiros de residências acompanhados de viola e pandeiros, até meia noite, quando cansados voltavam para suas casas. Anulava a oportunidade de meretrício. Gradativamente, a vida desregrada. O milagre aconteceu. E que lindo e gostoso processo.
Hoje, dança-se para pagar promessa a São Gonçalo por graças alcançadas. Contam que se uma pessoa faz promessa e morre antes de realizar a roda, vem através de sonho ou de algum “médium” pedir que alguém da família a realize. É uma santo que não perdoa, pois alcance ou não a promessa, ela tem de ser paga. É uma caridade fazer acontecer. Embora não exista roupa apropriada para a dança, quando se trata de roda de finado, isto é, para atender ao pedido de um falecido, deve-se dançar de branco ou azul. Nem todos mundo pode dançar. Somente Senhoras e Senhores casados, donzelas idosas e viúvas sérias. 

Professores dançam uma roda de São Gonçalo
As mulheres não podem dançar se tiverem unhas e lábios pintados, cabelos cortados dentro da moda; com roupa sem mangas ou curtas e justa; calça comprida; de sutien e calcinha tipo moderno. E sim calçolão e combinação embaixo do vestido por mais grosso que seja. Do contrário a promessa não será paga e a alma do falecido volta a pedir a realização da roda dentro dos conformes Ou no momento da roda o médium possuído interrompe e pede a quem está fora das normas, que se retire da roda, se não fica impossibilitada de continuar. Fica sempre uma cadeira vazia para o defunto da promessa. O local das rodas, recebe uma preparação especial. Na frente da casa, arma-se uma latada coberta de palha, ligada à porta principal e sob esta um bonito altar improvisado com a imagem do Santo, flores e velas. Rosas Dias sempre emprestava o santo dela para quem ia cumprir uma promessa e não dispunha de imagem. Os dançadores formam duas filas. À frente de cada fila, um guia. Estes poderão ser os tocadores de viola e pandeiro. A promessa pode ser de seis, doze, ou vinte e quatro rodas. Uma roda inteira consiste em cantar todas as louvação a São Gonçalo. Em alguns lugares usam arcos artisticamente enfeitados. Recomenda-se que as rodas não sejam dançadas aos domingos por constituir pecado, é o dia do Senhor; nas segunda-feiras por ser dia das almas, elas não ficariam satisfeitas; pessoas de luto também não devem dançar. Alguns invocam São Gonsalo como do Amarante, outros como São Gonçalo do Poço (tem dois pocinhos nos pés).
Fonte: Uma Trajetória em Memória: Minha Terra, Minha Gente.
Autora: Graciosa Xavier Ramos Gomes 


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