domingo, 20 de maio de 2012

MOVIMENTO PESCADORES DA CRIAÇÃO IV - Arte na Rua

Não existe obra de arte sem público, tampouco existem artistas sem que haja público (mesmo que este só se configure após sua morte!), logo, a própria população, independente de nível de formação escolar, situação sócio-econômica, localidade e demais variáveis, deve ter direito de acesso a bens culturais.
Esse tido direito, entretanto, deve ser profundamente analisado; apenas possuir locais específicos e gratuitos que acumulem, organizem, selecionem e exponham objetos de arte, não é suficiente para que o público tenha acesso à arte, muitas vezes não é nem ao menos suficiente para que o publico freqüente tais instituições. Desvendar porque museus e galerias se mostram tão pouco atraentes é intuito pretenso, e não buscamos com tal proposta expositiva, responder a essa problemática inquietação. Ensejamos por outro lado, permitir que a obra, “objeto quase mágico, incompreendido e de valor inestimável”, possa olhar e ser olhada pelo grande público, por aqueles que se admiram, se emocionam, param e refletem ao deparar-se com ela e também, por aqueles que a rejeitam, renegam ou mesmo a ignoram.
Buscamos retirar a obra de seu lugar inacessível e torná-la o que ela realmente é: parte da vida cotidiana, diálogo com seu autor e outros seres humanos. Desejamos retirá-la de sua “redoma” e pô-la vulnerável às compreensões/incompreensões e julgamentos de todos os olhos, carregados cada qual com suas próprias experiências e expectativas. Como não poderia deixar de ser, não queremos, pois, só a obra que se desnuda para o público em sua diversidade, mas o próprio artista, membro dessa mesma sociedade, binômio indivíduo/coletivo; não mais um “gênio iluminado”, mas alguém que vive os mesmos temores, revoltas, alegrias e prazeres que qualquer outro mortal.
Por fim, esperamos que essa proposta se torne um laboratório de pesquisa para os processos expositivos e a receptivos das obras de arte. Entendemos que as paredes de uma Universidade, ou qualquer outra instituição de ensino, apesar de propor fortes estruturas à formação dos conhecimento, são também limites a experiências que dialogam com as ncertezas da realidade externa e tão plural.
Buscamos proporcionar uma oportunidade aos estudantes/pesquisadores de conhecer e questionar outras modalidades de relação público/arte e público/artista, num espaço o mais democrático: a rua. É na rua, lugar aberto, público, sem contenções, vigias ou sanções que as pessoas se expressam de forma mais autêntica, exercendo com maior autonomia seu posicionamento acerca do que vêem, e é na rua que a sociabilidade é exercida mais fortemente que entre muros e paredes.
Fonte: Movimento Pescadores da Criação.
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