quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

PEDRO RAYMUNDO - O PÁSSARO QUE CRIOU RAIZES

PEDRO RAYMUNDO, em seguida a uma luta íntima que envolveu inclusive amigos seus, entrega ao público O PÁSSARO QUE CRIOU RAIZES. Trata-se de uma publicação de primeira grandeza.
Formado em arquitetura, o autor, desde estudante, foi um homem dedicado às coisas do espírito, revelando-se logo cedo, incansável pesquisador.
Em 1958 escreveu um estudo sério, sobre a Igreja de Monte Serrat, em Salvador, obra inédita de valor incontestavel.
Logo no ano seguinte, para o IV Colóquio de Estudos Luso-Brasileiros, fez uma pesquisa sobre "Azulejos não Decorativos" da velha Tomé de Souza, merecendo Moção de Aplausos da Congregação de Escola de Belas Artes da Bahia.
Pode-se dizer, além disso, que a poesia é a melhor biografia que um poeta consegue de si mesmo. E PEDRO RAYMUNDO é um poeta nato.
Euvaldo Macedo Filho, escrevendo sobre o autor de O PÁSSARO QUE CRIOU RAIZES, pergunta:
" Houve uma pedra
no caminho de Pedro ?
E, ao correr do verso bem elaborado, responde:
"Um homem, um ato, um pacto.
Um pássaro que criou raises
(e fez o ninho)
entre rochas & cactos."
E PEDRO RAYMUNDO, em seus cinquenta e tantos poemas aqui enfeixados, nos diz ser um homem apaixonado quando, em "Lirismo", confessa:
" Puseste as mãos em concha,
E eu depositei nas tuas mãos em conchas,
Toda minha poesia.
Esqueci a poesia...
Contemplando as tuas mãos."
Como todo poeta que se preze, é um sonhador. E, no "Poema da Necessidade", com maestria, diz:
"Não vejo.
Crio que não há.
Não encontro.
É inútil procurar o anúncio:
VENDE-SE SONHOS."
Recordando sua mãe, PEDRO RAYMUNDO nos brinda com O RISO QUE ESTÁ AGORA NO MEU ROSTO, revelando-se:
"Eu não nasci triste.
Ensinaram-me depois.
........................................
Ele é um pouco do rosto de minha mãe chorando."
PEDRO RAYMUNDO, quando estudante, fez repetidas vezes o percurso Juazeiro-Salvador de trem. Eram quase 24 horas de viagem na velha Maria Fumaça da Leste Brasileiro. Todos, inclusive o autor, sente saudades dos tempos idos e vividos. Daí o verso:
"...Sei que fumaça de trem cheira a saudade."
Será que, por momentos, PEDRO não é aquele " PEIXE DE LOUÇA EM CIMA DA MESA" ? Vejamos o verso:
" O peixe grita socorro
fora d'água
em cima da mesa,
e lhe põem flores na boca"
Os grandes poetas sofrem " as dores do mundo". São golpeados pelas pedras do caminho. PEDRO RAYMUNDO, em "A ÁRVORE ME CHAMOU: RECADOS DE FOLHA TOCOU MEU OMBRO", INTERROGA:
"Por que a árvore me tocou no ombro
Com uma folha
E me chamou
Se eu sou um homem quase perdido ?"
Em "QUASE NÃO PEDRO" declara ainda:
"Eu me fui construindo
Com o que me ensinavam,
Com o que fui aprendendo
A vida me foi destruindo."
Temos aí uma pequena amostra da poesia de um grande poeta. O PÁSSARO QUE CRIOU RAIZES é uma obra que enriquese a poesia brasileira.Espera-se, com justa razão, boa acolhida do público leitor e da crítica especializada.
LIVRO; O PÁSSARO QUE CRIOU RAIZES
AUTOR: PEDRO RAYMUNDO
CAPA: JUAREZ PARAÍSO
CAPA: JUARES PARAÍSO
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