quinta-feira, 7 de junho de 2012

Ontem, o hoje, o amanhã, nasce uma comunidade - Juazeiro Bahia

Dando os Primeiros Passos
Inicia-se aqui a importante narração histórica daquilo que representa importantíssima raízes brutalmente atiradas ao espaço e que você, na conclusão deste, estará suficientemente capaz de compreender e entendê-lo porque neste trabalho teremos uma série importante de narradores, pois será um vasto campo a percorrer contudo como buscamos as principais raízes, inciamos tendo à frente apesar dos seus  oitenta e cinco anos de existências. Trata-se do Sr. Oscar Delmiro dos Santos, primeiro participantes nesta série de entrevista a seguir.
Preguntamos inicialmente:
- Sr. Oscar, em que anos o senhor nasceu? E ele soltando uma gostosa rizadinha...
- Em 1901 no dia 9 de janeiro. Quero eu dizer que tenho 85 anos, pois nasci no começo do ano, não é isso mesmo?
- Sim, é isso mesmo. Continuamos...
- Quem foram seus pais?
- Delmiro e Otilia.
- O Sr. se considera o mais idoso da região?
- Sim. Pelo menos aqui em conchas e vizinhanças, desde o Mato-Grosso ao Jatobá.
- Teve quantos irmãos? Quantos?
- Sim. Nios era dez ao todo.
- Lembra-se ainda dos seus nomes pela ordem, ou seja, inicialmente do mais velho ao mais novo?
-Ah! Isso não. Hoje tô com a cabeça ruim. Mais cá acentuando aí: Cassiano, Serapião, Manoel, Oscar, José Marcelina, Tomás, Maria, Emídio e Domingas.
- O Sr. nasceu aqiu em Conchas?
- Sim. Nasci e me criei.
- Quais outras famílias viviam aqui nesta nesta época?
- Não me lembro mais. Mas posso citar alguns como: Zé Vermeio, João Aliberto, Carolina, Antoio Caré, Zé Canaro, José Nunes, Mãe França (parteira) da região. ( É tradicional, inclusive, ainda nos dias atuais chamar-se de mãe a pessoa que pegou a criança). A criança fica no dever moral de tê-la por mãe aquela que ajudou-a a vir ao mundo. E isso é na verdade um fato extraordinário. Você não acha? Felizmente este ato sensacional não se perdeu no espaço, pois ao menos na nossa comunidade ainda continua viva esta ideia. Mas continuando  o papo, indagamos do entrevistado como acontecia por exemplo - uma paciente esperava a vinda de um novo bêbê ou mesmo quando adoecia gravemente alguém. E a resposta foi a seguinte:
- Ah! seu Beto, naquele tempo era fogo. Não tinha jeito não. A gente tinha mesmo era pedir a Deus pra não adoecer, porque transporte não tinha, quando se caía doente só tinha um jeito: Era mandar um portador à cidade para buscar algum remédio e este ia montado a jumento e à vezes até a pés, às vezes quando este portador retornava a criatura já tinha morrido.
- Sr. Oscar: Não havia um jeito de levar a criatura à cidade?
- - O único meio que tinha era a viagem de paquete mas era demorado porque ou era a remo ou a pano. Levava dois a três dias para se chegar. 
Melhor Prevenir Que Remediar
- O Sr. falou que o mais correto era pedir a deus para não ficar doente. Sempre foram bem sucedidos nestas preces?
- Ah! Sim. Graças a Deus era bem difícil da gente adoecer gravemente.
- E a que o Sr. atribui a tudo isso. Só as graças de Deus ou o pessoal de agora não tem resquardo de de boca nem nada. Levam a coisa com a casca e tudo. No meu tempo não era assim não. Nós tinha muito resguardo e usava muita raiz de pau, chá de ervas e outras coisas. Era difícil tomar remédio de framaça.
- Nós estavamos satisfeito pelas resposta do Sr. até agora. Mas estamos querendo saber a dieta das senhoras após o parto.
-Surgiu a tradicional risadinha e a resposta foi a seguinte:
- Seu Beto, esta pergunta não é pra eu. Pergunte pra comade Francisca que é muié e sabe responder mió sobre assunto das muié. Num tô certo?
- Está bem Sr. Oscar. O senhor lembrou muito bem. A dona Chiquinha vai dar também pra gente esta colaboração. Dito isto ele prazerosamente pede licença para retirar-se alegando pertubações na cabeça, prometendo estar presente no próximo encontro. 
Livro: Nasce Uma Comunidade - Bertolino Alves Nascimento - Capa: Parlim
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