segunda-feira, 27 de setembro de 2010

MINHA TERRA-MÃE


       Sempre amamos mais nossa terra que qualquer outra. Há um enternecimento envolvendo o nosso torrão natal. Ele nos enlaça com suas tradições e nos prende tanto que, distantes dele, desejamos revê-lo. É o cordão umbilical unindo-nos à terra mãe.
       Por mais que nos encantem outras cidades, por mais longe que estejamos do nosso rincão, necessitamos dele para avivar crenças, arraigar convicções e reatar amizades. Quem já se ausentou por muito tempo de sua terra deve ter constatado esta verdade: somos cativos do lugar onde nascemos. Por isto rejubilamos ao ler nos jornais notícias que o enaltecem, preocupamo-nos com seu progresso e, quando longe, abraçamos alguém que mal conhecemos, mas que nos parece amigo por ter vindo de nossa cidade.
       Não sei que magia é esta a nos envolver quando nos referirmos à terra-mãe. Não importa seja ela menos bela que as demais. Nela criamos raízes, principalmente porque nossos antepassados aqui deixaram resquícios do seu viver. Nela sentimos o prazer da amizade criando elos e o entrelaçamento dos elos produzindo a corrente que nos agrupa em busca dos mesmos ideais.
        Nas ruas de Juazeiro redemoinha a saudade. Chega leve, matreira, com jeito de quem nada quer, mas faz reviravoltas em nosso coração. E, ao revolver os escombros na tela desbotada de nossa memória, traz reminiscências dos antigos carnavais matizados de confetes, do amanhecer e entardecer no rio São Francisco, do apito do trem saudando reencontros ou chorando adeuses, do aportar dos vapores no antigo cais da cidade, com aquela bonita balaustrada, sólida característica das cidades ribeirinhas. Saudade do vai-e-vem sem pressa, à noite, na passarela da rua da Apolo; das serestas ao som dos violões no aniversário da cidade; de um povo especial: religioso e contrito aos pés da Padroeira, irreverente e solto atrás do trio elétrico.                                                                                                                                                                                             
         Entristece-me ver que Juazeiro cresceu desordenadamente, com as praças reformadas, mas sem flores, com seu patrimônio histórico destruído como se o passado nada signifique. Também é verdade que o progresso, há muito tempo afastou-se daqui, esquecendo o caminho de volta. Entretanto, muito mais me entristecem as palavras de desprezo com que alguns a descrevem, alguns que se dizem revoltados ao compará-la com outras cidades, mas nada fazem pelo seu desenvolvimento. Falar com zombaria da terra onde nascemos é deselegante, denota ingratidão e mesquinhez. Se aquele que fala, nada faz para corrigir as coisas erradas, também nada constrói, pois revolta e apatia conduzem ao enfraquecimento democrático.
          Juazeiro de tantos encantos e desencantos! Tuas ruas tortas e estreitas são heranças do passado, quando ainda engatinhavas, sem que nossos antigos gestores pensassem no dia em que te erguerias, procurando rumos para te tornares uma grande cidade. Elas sabem tua história e conhecem projetos e vivências de tantos filhos ilustres que te engrandeceram: Aprígio Duarte, Edson Ribeiro, José Inácio da Silva, Agostinho Muniz, Bolívar Santana, Judite Leal Costa e tantos outros. Tens a beleza do rio São Francisco que, sereno e majestoso, retrata em suas águas a tua imagem com o mesmo encanto e magia com que reflete outras terras.
          No futuro, desejo que tenhas deputados, prefeitos e vereadores honestos, lutadores, conscientes de que só estão no poder por vontade de teu povo, a quem devem respeito, gratidão e o cumprimento das promessas feitas em prol de teu progresso. Que teu comércio se expanda, os hospitais se multipliquem, as praças refloresçam. Que surjam novas bibliotecas e o tão esperado centro de convenções, a fim de que teus filhos encontrem um local decente onde possam receber o diploma universitário a que tanto aspiraram, sem ser necessário recorrerem para isto à benevolência da cidade vizinha.
          Eu te louvo e saúdo com todo respeito e carinho por seres uma nordestina forte, sobrevivente a todos os desmazelos com que te tratam e, sobretudo, por seres minha Terra-Mãe!
             


                          Layze de Luna Britto    
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